Lendas do folclore brasileiro: guia completo com 17 personagens para crianças

As lendas do folclore brasileiro fazem parte da cultura popular, por isso conhecê-las é uma forma de resgatar tradições e fortalecer nossa identidade.
Lendas do folclore brasileiro
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O folclore brasileiro é um dos patrimônios culturais mais ricos do mundo. Transmitidas de geração em geração pela tradição oral, as lendas folclóricas carregam a identidade e a sabedoria dos povos que formaram o Brasil — indígenas, africanos e europeus.

O Dia do Folclore, comemorado em 22 de agosto, é a data certa para apresentar essas histórias às crianças. Mas a verdade é que o folclore merece estar presente o ano todo.

Este guia completo reúne 17 lendas e personagens do folclore brasileiro, com origem, características e dicas de como apresentá-los para os pequenos em casa e na escola.

Neste artigo, você vai conhecer versões de algumas das lendas folclóricas mais famosas:

  • Saci Pererê
  • Gralha-Azul
  • Curupira
  • Minhocão
  • Iara
  • Chico Rei
  • Mula sem Cabeça
  • Pai do Mato
  • Lobisomem
  • Cidade Encantada
  • Cuca
  • Vitória-Régia
  • Boto-cor-de-rosa
  • Boitatá
  • Negrinho do Pastoreio
  • Caipora
  • Anhangá
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O que é folclore e por que é importante para as crianças?

Folclore é o conjunto de tradições, lendas, cantigas, danças e costumes de um povo, transmitidos oralmente de geração em geração. A palavra foi criada em 1846 pelo arqueólogo britânico William Thoms, que a combinou das palavras inglesas folk (povo) e lore (saber). No Brasil, o Dia do Folclore passou a ser celebrado oficialmente em 22 de agosto a partir de 1965.

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o contato com a cultura popular e as tradições regionais é fundamental na educação infantil e nos anos iniciais. As lendas folclóricas ajudam as crianças a desenvolver identidade cultural, ampliar o vocabulário, exercitar a imaginação e entender a diversidade das regiões brasileiras.

Conheça as lendas do folclore brasileiro:

Saci Pererê

Saci pererê lenda folclore

A lenda do Saci Pererê fala sobre esse ser mítico, baixinho, negro e com uma perna só, que vive pulando rapidamente pelas floresta com seu capuz vermelho. 

O Saci é muito brincalhão, agitado e travesso. Sempre faz travessuras por onde passa: gosta de bagunçar a crina dos cavalos durante a noite, dando nós e fazendo tranças. Esses são sinais de que o Saci passou por ali.

Ele também tem o costume de entrar nas casas para pregar peças nas pessoas. Pode queimar as comidas que estão no fogão, ou fazer objetos desaparecerem. Às vezes até apaga velas e luzes.

O Saci cria um redemoinho quando passa rápido por um lugar, levantando folhas e sujeira. A lenda do Saci conta que é possível capturá-lo lançando uma peneira no meio do redemoinho. Depois, é preciso retirar o seu gorro e colocá-lo dentro de uma garrafa para não escapar.

No sítio, tudo pode acontecer!
  • Monteiro Lobato | As Caçadas de Pedrinho
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Gralha-Azul

A lenda da Gralha-Azul teve origem no estado do Paraná, na região sul do Brasil. Conta-se que uma gralha recebeu da Mãe Natureza um pinhão para matar sua fome. A ave, que ficou muito feliz e satisfeita com o alimento, comeu metade do pinhão e enterrou a outra para se alimentar depois, mas se esqueceu onde havia escondido o restante do fruto.

Algum tempo depois a gralha percebeu que um lindo pinheiro começou a brotar na floresta e decidiu cuidar dele. Conforme foi crescendo, o pinheiro começou a dar frutos com os quais a ave continuou a se alimentar para saciar sua fome. Assim como da primeira vez em que recebeu um pinhão da Mãe Natureza, a gralha comia uma parte do fruto e enterrava o restante, sempre se esquecendo de onde havia escondido o alimento.

Dessa forma, a gralha plantou uma floresta inteira de araucárias pela região sul. Como recompensa por sua bela atitude, a Mãe Natureza decidiu modificar a cor do pássaro que antes era pardo, deixando-o com a coloração azul. Com isso, a Gralha-Azul se tornou uma belíssima ave que se diferencia de todas as outras da floresta.

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Curupira

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Curupira – Ilustração: Dentro da História

O Curupira é um personagem do folclore conhecido por proteger as florestas. Sua lenda tem origem nas histórias de povos indígenas, sendo muito famosa no Norte do Brasil.

Segundo a lenda, o Curupira é um menino baixinho de cabelos vermelhos, cuja característica principal são os pés virados para trás, que servem para enganar invasores que erram o caminho ao seguir suas pegadas na floresta. Os indígenas acreditavam que o curupira aterrorizava aqueles que entravam na floresta para caçar ou derrubar árvores.

Uma forma do Curupira atormentar os caçadores é assoviar sem parar. Para fugir dele, é preciso dar um nó em um pedaço de cipó. Agora, achar o Curupira por conta própria na floresta é quase impossível, já seus pés ao contrário sempre enganam sobre seu caminho.

Minhocão

No estado de Sergipe e em toda a região do nordeste brasileiro a lenda do Minhocão é muito conhecida.

Segundo a crença popular, o minhocão é uma cobra gigantesca que vive no Rio São Francisco e se move por baixo da terra. Seja nas águas ou em terra firme, a cobra causa estrago por onde passa, pois provoca desmoronamentos, abre grutas enormes e oferece risco de naufrágio aos pescadores e embarcações da região.

Sereia Iara

Iara mãe d´água lenda folclore
Iara – Ilustração – Dentro da História

A história da Iara, também conhecida como Lenda da Mãe d’Água, é outro exemplo de lenda do folclore com origem indígena. Iara ou Yara, do indígena Iuara, significa “aquela que mora nas águas”. Ela é metade peixe e metade mulher: da cintura para baixo tem uma cauda de peixe, e da cintura para cima tem o corpo de mulher.

A linda sereia costuma tomar banho nos rios e cantar uma melodia irresistível. Os homens que a veem não conseguem resistir ao seu encanto e pulam dentro do rio. Ela tem o poder de cegar quem a admira e levar os homens atraídos por ela para o fundo do rio.

Segundo a lenda, Iara era uma índia guerreira, trabalhadora e corajosa. Recebia muitos elogios do seu pai que era pajé, e consequentemente despertava a inveja de alguns da tribo, especialmente de seus irmãos homens. 

Certa noite, quando Iara dormia, ouviu seus irmãos entrando em sua cabana com a intenção de matá-la. A guerreira se defendeu e acabou os matando. Iara fugiu pelas matas com medo do pai, que a encontrou e, como punição, ela foi jogada no encontro do rio Negro com Solimões. Os peixes trouxeram o corpo de Iara à superfície e então, sob o reflexo da lua cheia, ela se transformou em sereia.

Chico Rei

A lenda do Chico Rei surgiu na cidade de Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. Conta-se na região que Chico era rei em uma aldeia no Congo e foi trazido para o Brasil contra sua vontade para trabalhar como escravo nas minas de ouro.

Depois de trabalhar muitos anos nas minas de Ouro Preto, Chico juntou uma grande quantia de dinheiro para comprar sua liberdade e também sua própria mina de ouro. Por meio das pedras preciosas de sua mina, Chico ganhou muito dinheiro e conseguiu libertar diversos escravos.

Dessa forma, Chico também se tornou rei no Brasil por sua história de determinação e luta para ajudar os escravos da época.

Histórias originais com os personagens famosos da infância
  • Chapeuzinho Vermelho | Livro Personalizado
  • Os Três Porquinhos | Livro Personalizado
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Mula sem Cabeça

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Mula sem cabeça – Ilustração: Dentro da História

A lenda da Mula sem Cabeça tem origem europeia e foi trazida ao Brasil pelos Portugueses durante a colonização. Acredita-se que ela fazia parte de um esforço para reforçar os valores morais da época.

A Mula sem Cabeça é uma mula marrom que, em lugar da cabeça, tem uma tocha de fogo. Segundo a lenda, ela corre em disparada pelas matas e relincha tão alto que se ouve a muitos metros de distância. 

No folclore, a Mula sem Cabeça é uma figura amaldiçoada, em forma de punição a mulheres que se relacionassem com padres. A lenda tradicional diz que a mulher com essa maldição se transforma em mula na passagem da quinta-feira para a sexta-feira e só retorna à sua forma humana quando o galo canta três vezes. Enquanto está na forma de Mula sem Cabeça, ela tem um relincho que é confundido com um lamento de dor.

Pai do Mato

Muito conhecida no estado de Goiás, na região centro-oeste do país, a lenda do Pai do Mato conta a história de um ser folclórico que protege os animais.

O Pai do Mato é meio homem e meio bicho, pois possui cabelos longos, unhas grandes, dentes afiados e patas de bode. Mesmo com a aparência diferente, o Pai do Mato é conhecido como um ser que cuida dos animais e ataca somente as pessoas que querem fazer mal aos bichos que vivem na floresta.

Todas as noites ele sai pelas matas montado em seu porco-do-mato para conferir se todos os animais estão em segurança.

Lobisomem

Lendas do folclore - Lobisomem lenda folclore
Lobisomem – Ilustração: Dentro da História

A lenda do lobisomem tem diferentes versões no mundo todo, e sua origem também é europeia. No folclore brasileiro, o Lobisomem é um homem que se transforma em lobo em noites de lua cheia. 

Segundo a lenda brasileira, quando uma mãe tem 7 filhas e por último, um filho, esse será um lobisomem. Uma vez transformado em lobisomem na noite de lua cheia, sai à procura de vítimas. A cultura popular difundiu a ideia de que o lobisomem é vulnerável somente à bala de prata ou a objetos cortantes feitos também de prata. Assim, essas seriam as únicas formas de matá-lo.


No Norte do Brasil, a lobisomem seria o homem que tivesse a saúde debilitada com anemia. Uma vez transformado, se alimenta do sangue de outros humanos para compensar a pobre dieta como um deles. No Sul, por sua vez, o fato que transforma o homem em lobisomem seria o incesto.

Cidade Encantada

A lenda da Cidade Encantada surgiu na praia de Jericoacoara, no estado do Ceará, e conta a história da princesa Carolina. Ela vivia junto com seus pais em uma cidade feita de areia dourada e água do mar. 

Certo dia, enquanto se divertia brincando pela areia, a princesa Carolina viu uma passagem entre as pedras e, quando se aproximou, uma bruxa terrível a transformou em uma serpente. Após alguns anos, duas crianças que brincavam na praia ouviram um canto triste  e descobriram que era a princesa Carolina que se lamentava pelo que havia acontecido. Juntas, as crianças livraram a jovem do feitiço e a ajudaram a voltar a sua forma humana.

Depois de ter sido salva, a princesa retornou para casa e a cidade encantada foi coberta pela areia da praia se tornando um paraíso subterrâneo.

Cuca

Cuca lenda folclore
Cuca – Ilustração: Dentro da História

A Cuca é conhecida popularmente como uma bruxa velha e feia, que tem cabeça de jacaré e que rouba as crianças desobedientes. Essa personagem do folclore brasileiro se originou através de outra lenda: a Coca, um dragão comedor de crianças desobedientes que fica à espreita nos telhados das casas, uma tradição trazida para o Brasil pelos portugueses.

Diz a lenda que a Cuca rouba as crianças que desobedecem seus pais. Ela só dorme uma noite a cada 7 anos, então os pais usam a lenda para dizer às crianças que se elas não dormirem na hora certa, a Cuca virá para pegá-las.

A Cuca ficou ainda mais famosa ao aparecer como personagem nos livros do Sítio do Picapau Amarelo de Monteiro Lobato e na série de televisão inspirada nas obras.

Vitória-Régia

A lenda Vitória-Régia é bastante conhecida na região norte do Brasil e conta a história de Naiá: uma menina que desejava muito se aproximar da lua, que também é chamada de Jaci por alguns povos indígenas.

Certa noite Naiá viu o reflexo da lua nas águas do rio e pensou que Jaci estava se banhando. Decidida a se aproximar da lua, a jovem mergulhou no rio e desapareceu. Foi então que Jaci decidiu transformar Naiá em uma bela flor chamada estrela das águas, pois sabia da admiração que a jovem tinha por ela.

Dessa forma, nasceu a Vitória-Régia, uma planta aquática que possui uma das flores mais belas do mundo e é capaz de atingir até dois metros e meio de diâmetro com suas folhas circulares.

Boto-cor-de-rosa

Lenda do folclore - Boto cor de rosa
Boto cor-de-rosa – Ilustração: Dentro da História

A lenda do Boto-cor-de-rosa teve origem na região amazônia, onde vive essa espécie típica do Brasil. Segundo a cultura popular, o boto sai dos rios e se transforma em um jovem belo e elegante nas noites de lua cheia. Normalmente ele aparece nas festividades de junho e frequenta as Festas Juninas da região.

O boto se veste de branco e usa um grande chapéu para esconder suas narinas, pois sua transformação não ocorre por completo. Galã e conquistador, o boto escolhe uma moça solteira da festa e a leva para o fundo do rio. Na manhã seguinte ele se transforma em boto novamente, por isso a Lenda do Boto é utilizada muitas vezes para explicar uma gravidez fora do casamento.

Boitatá — a cobra de fogo

O Boitatá é uma cobra gigante de origem tupi-guarani que protege as florestas soltando chamas pelos olhos. Segundo a lenda, ela sobreviveu a um grande dilúvio e ficou com olhos tão grandes por ter devorado olhos de animais mortos para se iluminar no escuro. Protege os campos de incêndios e pune quem coloca fogo na floresta.

Negrinho do Pastoreio — padroeiro dos objetos perdidos

O Negrinho do Pastoreio é um menino negro escravizado que, após morrer injustamente e ressuscitar pelo poder de Nossa Senhora, tornou-se o protetor de quem perde objetos. É uma lenda tipicamente gaúcha, de forte influência católica e afro-brasileira. Quem pede ajuda ao Negrinho promete uma vela acesa se o objeto perdido for encontrado.

Caipora — a protetora da caça

A Caipora é um ser mítico de origem indígena que aparece como um índio peludo montado num porco-do-mato, espalhando confusão pela floresta para proteger os animais selvagens. Ao contrário do Curupira — que castiga os maus caçadores — a Caipora simplesmente atrapalha e desorienta todos que entram em seu território sem permissão.

Anhangá — o fantasma das florestas

O Anhangá é um espírito protetor dos animais na mitologia tupi-guarani. Aparece geralmente como um veado branco de olhos de fogo. Persegue e assusta caçadores que matam por prazer ou que caçam fêmeas prenhes. É um dos personagens folclóricos mais antigos do Brasil, com registros nos primeiros séculos da colonização.

Como trabalhar o folclore em família

A melhor forma de apresentar as lendas às crianças é pela narração oral — com entonação dramática, pausas de suspense e gestos. Depois da história, explore as perguntas das crianças: ‘Você acredita nessa lenda? Por que as pessoas contavam essas histórias?’ Visitas a museus de folclore, como o Museu do Folclore Edison Carneiro no Rio de Janeiro, também enriquecem muito a experiência.

Aprendendo sobre lendas do Folclore com a leitura

Diversas lendas do folclore brasileiro foram difundidas através de obras da literatura infantil. Uma das principais foi o Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato.

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Livro Personalizado: Folclore no Sítio

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Perguntas frequentes sobre o folclore brasileiro

Quais são as principais lendas do folclore brasileiro?

As lendas mais conhecidas são: Saci-Pererê, Curupira, Iara, Mula Sem Cabeça, Boto-Cor-de-Rosa, Vitória-Régia, Cuca, Lobisomem e Boitatá. Cada região do Brasil tem suas próprias versões e personagens específicos.

O que é folclore e por que é importante para as crianças?

Folclore é o conjunto de tradições, lendas, cantigas e costumes de um povo, transmitidos oralmente de geração em geração. Para as crianças, o contato com o folclore desenvolve identidade cultural, imaginação e empatia pela diversidade — competências previstas na BNCC.

Em que data se comemora o Dia do Folclore?

O Dia do Folclore é comemorado em 22 de agosto. A data foi estabelecida em 1846, quando o arqueólogo britânico William Thoms propôs o termo ‘folklore’ para designar as tradições populares. No Brasil, a data passou a ser celebrada a partir de 1965.

Qual é a origem do Curupira?

O Curupira tem origem nas histórias dos povos indígenas do Norte do Brasil. Foi o padre José de Anchieta quem primeiro registrou a lenda por escrito, em 1560. O Curupira é descrito como um menino com cabelos vermelhos e pés virados para trás, que protege a floresta de caçadores e desmatadores.

Existe livro personalizado do folclore brasileiro para crianças?

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