Livros infantis e diversidade na infância: entrevista com Rafael Calça

Escritor e vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura em 2019 com a graphic MSP “Jeremias – Pele”, Rafael Calça acaba de lançar em parceria com a Dentro da História o livro personalizado “Cores do Mundo”

Na história, o autor convida a criança a refletir sobre a diversidade de histórias, sotaques, cores, fé, maneiras de se comportar, dentre muitas outras características que existem no mundo e o deixam mais bonito. Além disso, por meio de exemplos lúdicos, Rafael também explica aos pequenos leitores que mesmo com tantas diferenças, as pessoas são muito mais parecidas do que imaginam. 

Os livros infantis são muito importantes para o desenvolvimento das crianças, assim como estimular o contato dos pequenos com outras realidades, culturas e características diferentes daquelas que estão acostumadas também é fundamental para que as crianças desenvolvam a empatia e o respeito.

A importância de trazer a diversidade para dentro dos livros infantis

A Base Nacional Comum Curricular defende que o contato das crianças com os livros infantis e com a diversidade são direitos de aprendizagem que devem fazer parte da vida dos pequenos desde os primeiros anos escolares até o ensino médio. 

Sabendo disso, é importante que as famílias se questionem sobre os tipos de estímulos e condições que estão proporcionando para o aprendizado das crianças e, a partir disso, escolham livros infantis que apresentem a diversidade de forma lúdica e divertida nas histórias.

A seguir, o autor Rafael Calça compartilha o quanto trazer a diversidade para dentro dos livros infantis contribui para o senso de pertencimento na infância e para a construção de um mudo melhor. 

Dentro da História: Como autor, ilustrador e roteirista de livros infantis você conhece bem o poder das histórias e como descobrimos o mundo através delas. Durante sua infância, você se lembra de algum livro ou personagem que marcaram seu processo de descoberta do universo ao seu redor? Compartilhe um pouco sobre eles.

Rafael: Rostos negros nas histórias eram raros na minha infância. Isso ecoava na solidão que sentia na vida real. O refúgio que encontrei nas histórias veio através de conexão emocional. Se fosse depender de me ver plenamente no que consumia, não teria me tornado escritor. Mas os grandes temas universais como amor, solidão, morte, família, natureza me fizeram entender que independente da cor da pele, vivenciamos experiências similares e a humanidade poderia ser mais unida se quisesse. Hoje, acredito que os contadores de história tem a missão de representar, no mínimo, o mundo como é, em sua pluralidade, e apontar boas alternativas de como pode se tornar. 

DDH: Em “Jeremias – Alma”, segundo volume da graphic novel lançada pela Mauricio de Sousa Produções, Jeremias retorna como protagonista dessa vez questionando a história e as contribuições de seus antepassados pretos. Para você qual a importância do senso de pertencimento na infância?

Rafael: Para mim esse senso logo cedo fez muita falta. E vejo como afeta a auto estima, como se torna fácil duvidar de suas capacidades, suas belezas, seus potenciais. Vermos rostos e histórias parecidas com os nossos é imprescindível para não nos sentirmos intrusos, como se o mundo tentasse nos expulsar. O amor que damos a nós mesmos, que sentimos que merecemos, afeta o amor que damos aos outros. E pode ser um nó difícil de entender, ou algo mais fluído e pacífico. Há vários estudos sobre como as dores emocionais da infância nos marcam para vida, por isso é importante para a criança entender que não está sozinha.

DDH: Em seu novo livro personalizado “Cores do Mundo” você aborda temas como empatia e respeito frente às diferentes cores, características físicas e culturais, línguas, sotaques e modos de vestir, mostrando que respeitar e conhecer o outro é a melhor forma de desenhar nossos dias. Como você acredita que falar sobre esses valores e temas impactará o futuro das crianças e do mundo?

Rafael: Com publicações dessa natureza surgindo cada vez mais, o futuro será escrito, acredito, por novos tipos de adultos. A quantidade gigantesca de informações que hoje chega nos jovens poderá ser filtrada por uma maior inteligência emocional, que instigará respeito e companheirismo. Pelo menos esse é o meu sonho. 

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Livro personalizado escrito por Rafael Calça: Cores do Mundo
DDH: Diferente das histórias “O Dragão da Lua” e “A Visita das Fadas”,  em seu novo livro personalizado o narrador conversa diretamente com a criança, trazendo ainda mais sensibilidade ao texto. Conte um pouco do processo criativo dessa nova narrativa e quais suas expectativas em relação a ela.

Rafael: Por se tratar mais diretamente de um assunto importante, quis falar diretamente para a criança, para ela sentir que era uma lição especial. E contada pela voz especial desse adulto que ela ama, ecoaria ainda mais em seu coração. 

DDH: Um dos momentos mais marcantes da história “Cores do Mundo” é quando a criança descobre que sua casa é o mundo, e o mundo é a sua casa. Com você, essa percepção aconteceu na infância ou na vida adulta? Conte-nos sobre como essa descoberta impactou sua vida e seu trabalho.

Rafael: Foi na fase adulta, mas gostaria de ter entendido isso na infância. Nossa casa é esse microcosmo de vivências que espelham o mundo, e se for fechado demoraremos a nos ver como parte da humanidade, como elemento de mudança positiva a quem nos rodeia. Esse aprendizado passa por várias etapas de amadurecimento, mas iniciado na infância fará dessa criança um adulto mais carinhoso e compreensivo.

DDH: Como você acredita que a história “Cores do Mundo” ajudará as famílias a trazer a educação antirracista para o diálogo com as crianças?

Rafael: Na história, o lúdico de falar em cores logo fica bem realista ao tratar da história negra e indígena. Acredito que seja o melhor dos dois mundos, parte do imaginário, do nível introdutório do assunto, até ser possível conversar (várias vezes, em várias leituras) com a criança sobre a valorização de todas as formas de existir.

DDH: Que dica você daria para as famílias que desejam educar e preparar os filhos para serem protagonistas capazes de transformar o mundo em um lugar melhor no futuro?

Rafael: Acredito que o ideal é mostrar para as crianças que o mundo é composto de várias histórias, com vários protagonistas. Assim a criança não crescerá acreditando que suas experiências individuais ditam as verdades do mundo. Poderá respeitar outras vivências e desenvolver empatia desde cedo. Ler livros, quadrinhos, assistir peças, filmes e séries com personagens diversos irá ampliar a visão da criança, ensinará que ela faz parte de um todo muito rico e como sua presença nesse todo pode ser benéfica. 

Descobrindo as cores do mundo

Conhecer o mundo e a sua diversidade é muito mais divertido através da leitura. Afinal, as páginas de um livro têm o poder único de estimular a imaginação e criatividade das crianças enquanto ensina coisas novas para elas. Para colocar seu pequeno ou pequena dentro da história Cores do Mundo, basta clicar aqui para personalizar o livro e garantir um desconto especial.

Os assinantes do Clube Dentro da História também podem colocar o livro Cores do Mundo em sua trilha de Kits e recebê-lo junto com atividades incríveis que estimulam o aprendizado além da leitura. Para conhecer o Clube, é só clicar aqui e usar o cupom BLOGDDH para aproveitar 10% de desconto na assinatura. 

Rafael Calça é roteirista de histórias em quadrinhos e animação, além de ilustrador editorial e storyboarder de publicidade. Seu trabalho de maior destaque é o roteiro da Graphic Novel Jeremias – Pele, em que junto de Jefferson Costa recriou o personagem de Maurício de Sousa em uma HQ sobre racismo na infância, tendo recebido o reconhecimento de público e crítica, além do prestigiado Prêmio Jabuti.

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