Como estimular a criatividade das crianças?

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Formas de incentivar a criatividade das crianças
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Entenda a importância dessa habilidade para o futuro e veja como estimular a criatividade das crianças no dia a dia!

A criatividade tem sido considerada uma habilidade não apenas desejável, mas fundamental para lidar com os desafios do nosso século. Com os avanços tecnológicos, a diversidade cultural e as mudanças nos estilos de vida, precisamos desenvolver desde cedo a capacidade de criar e de nos adaptar, para sermos capazes de enfrentar esse cenário de incertezas e transformações constantes. 

Para isso, nós, como adultos, mães, pais e educadores, temos o papel de criar condições que proporcionem às crianças o desenvolvimento da imaginação, curiosidade, resiliência e flexibilidade, características muito ligadas à criatividade.

Neste artigo vamos entender como isso é possível. Primeiro, compreendendo essa habilidade mais afundo, e em seguida vendo dicas de como estimular a criatividade das crianças no dia a dia.

Afinal, o que é criatividade?

Muitas vezes, a criatividade é vista como um dom ou talento inato, pertencente a poucas pessoas que teriam o privilégio de ter nascido com ela. As pessoas dizem: “Não nasci criativo.” ou “Não tenho criatividade.” Outra crença é que a criatividade seria uma habilidade apenas dos grandes artistas, e por isso, só essas pessoas deveriam desenvolvê-la.  

No entanto, os avanços científicos trouxeram um novo entendimento sobre o que é a criatividade, mostrando que devemos criar um outro ponto de vista sobre ela. Hoje sabemos que a criatividade não é um talento inato ou restrito a artistas, mas sim uma competência possível de ser desenvolvida e estimulada em todas as idades, áreas do conhecimento e situações em que precisamos resolver algum problema.

Portanto, a criatividade é o grande potencial que o ser humano possui para enfrentar situações novas, criando soluções inéditas e se adaptando aos desafios. Todos têm um potencial criativo, mas seu desenvolvimento dependerá das oportunidades, experiências, nível de motivação e de estímulos que receber ao longo da vida.

A criatividade inata das crianças

Um estudo da NASA revelou que, até os 5 anos de idade, as crianças são praticamente gênios criativos. Com o tempo, porém, o nível de criatividade vai caindo, e apenas 2% dos adultos demonstram essa mesma capacidade.

Segundo a pesquisadora sueca Martina Leibovici-Mühlberger, que participou de uma pesquisa espanhola chamada “Buenos Días, Creatividad”, as crianças nascem com uma incrível capacidade de aprender, pensar e interagir com o mundo de forma criativa. Ela faz uma comparação dizendo que os pequenos vem ao mundo com “programas de software” pré-instalados nos seus cérebros, e desde muito novos tem facilidade para desenvolver habilidades complexas, como nadar ou falar outras línguas. No entanto, assim que passam a interagir com o mundo, eles são afetados pelo “vírus” que atrasa esse desenvolvimento. 

A especialista chama de vírus hábitos da nossa sociedade como a comparação entre as crianças, classificação de suas conquistas, avaliação, crítica e o sentimento de culpa gerado. Segundo ela, esse conjunto é responsável pela perda de 70% das capacidades inatas, que passam a ficar adormecidas nas crianças enquanto elas crescem.

Como, então, podemos evitar essa perda da criatividade e, ao contrário, estimular essa competência tão importante para o futuro de todos?

Como estimular a criatividade na infância?

A escola sempre foi um ambiente de socialização da criança e de acesso ao conhecimento. No entanto, se antigamente o foco era na transmissão de conteúdo, hoje a escola se torna responsável por estimular um conjunto de competências essenciais, desenvolvendo a autonomia e o protagonismo dos alunos, que permitem que eles continuem aprendendo ao longo da vida. Portanto, a educação formal deve contribuir para incentivar a criatividade das crianças.

Além da reestruturação da escola e do ensino, também é preciso rever o modo de vida que impomos às crianças, suas relações com os diversos espaços que ocupam, a forma como utilizam seu tempo e até mesmo os tipos de brinquedos e conteúdos com os quais tem contato. 

A seguir, listamos algumas formas práticas de incluir hábitos no dia a dia capazes de estimular a criatividade, tanto das crianças, como do resto da família.

1 – Contato com a natureza

A pesquisa “Buenos Días, Creatividad” realizada na Espanha mostrou que ambientes naturais oferecem mais estímulos ao potencial de criatividade das crianças do parques infantis construídos artificialmente. Isso porque os espaços orgânicos estimulam brincadeiras de modo mais diverso e menos direcionado. Isso tem levado muitos países a repensarem o planejamento urbano, substituindo os espaços infantis tradicionais pelos que chamam de “espaços de jogos naturais”. E mesmo nos centros urbanos onde as crianças vivem em apartamentos, é possível estimular o contato com a natureza incentivando o cultivo de mini-hortas e fazendo passeios em parques.

2 – Brincar de faz de conta

A imaginação estimula a criatividade, influencia o desenvolvimento cognitivo, e contribui principalmente para a resolução de problemas. O mundo da fantasia é inato da criança, mas a tendência atual é que elas fiquem mais restritas a fórmulas repetitivas de narrativas usadas em desenhos e filmes. Portanto, é importante diversificar as referências. Inventar histórias, apresentar contos de folclore, diversificar os gêneros de livros infantis. Além disso, estimular sempre a relação ativa com o faz de conta, ou seja, brincadeiras que permitem à criança experimentar o mundo da fantasia de forma livre.

3 – Ouvir música

O pensamento divergente é quando buscamos o maior número de ideias ou possíveis soluções para um problema. Esse tipo de pensamento é muito comum nas crianças, e é parte essencial da criatividade. Há diversas maneiras de estimular o pensamento divergente, e uma delas é ouvir música. Em um estudo recente na Holanda, pessoas que escutaram músicas felizes enquanto desenvolviam tarefas de pensamento divergente demonstraram resultados mais criativos do que as que não estavam ouvindo música.

4 – Movimentar o corpo

A forma como limitamos a movimentação das crianças no dia a dia é outra ameaça ao potencial criativo. Por exemplo, na escola, elas são obrigadas a ficar sentadas em carteiras durante horas do seu dia. Um estudo de Stanford mostrou que movimentar o corpo pode ter uma relação direta com a criatividade: entre os participante desafiados a desenvolver diversas tarefas, 81% das pessoas se mostraram mais criativas quando estavam andando, em uma esteira ou ao ar livre, do que quando estavam sentadas. 

5 – Ter tempo livre

 Muitas famílias, no melhor intuito de oferecer as melhores oportunidades aos filhos, acabam ocupando boa parte do tempo da criança com atividades programadas. Além da escola, as crianças têm a agenda repleta de aulas de idiomas, de esportes, de tecnologia, de dança, etc. No entanto, acabam tendo muito pouco tempo livre, e isso pode prejudicar a criatividade. É importante que as crianças possam viver o ócio criativo e o livre brincar, sem restrições de tempo e direcionamentos vindos de adultos. Além de oferecer tempo e espaço para as crianças explorarem o mundo de forma criativa, isso pode evitar doenças como a ansiedade e a depressão.

5 – Se expressar artisticamente 

O campo das artes é tradicionalmente relacionado à criatividade, e apesar de hoje sabermos que essa habilidade está ligada a qualquer atividade do nosso cotidiano, é verdade que estimular a expressão artística contribui para o desenvolvimento dessa competência. A dica é oferecer oportunidades e recursos para a criança explorar de forma livre. Se ela estiver fazendo um desenho, por exemplo, não direcioná-la a usar uma cor correta. Quanto mais materiais ela puder explorar sem medo de errar, maiores as possibilidades criativas.

Dica extra: Onde Estão as Cores?

A leitura é uma das principais formas de contato com o mundo da fantasia, e grande provocadora da criatividade das crianças. O livro infantil “Onde Estão as Cores?” é um recurso para incentivar essa habilidade de diversas formas.

Por ser um livro personalizado, a criança pode se ver como personagem na narrativa, o que estimula a fantasia e o protagonismo infantil. Na história, a criança fará uma viagem cheia de descobertas à procura das cores, que desapareceram. Além disso, ao longo da leitura ela completará a história da maneira e com as cores que quiser, enquanto expressa seu olhar sobre o mundo e exercita sua criatividade.

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