Alimentação vegetariana para crianças? Entenda os benefícios e cuidados.

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Alimentação vegetariana para crianças
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A alimentação vegetariana para crianças pode ser uma opção saudável e garantir todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento. Saiba mais!

O vegetarianismo vem se tornando cada vez mais comum entre as famílias brasileiras: segundo uma pesquisa do IBOPE realizada em 2018, mais de 30 milhões de pessoas são adeptas da alimentação vegetariana, correspondendo a 14% da população.

Mesmo com a popularização crescente, ainda é muito comum surgirem dúvidas sobre a viabilidade da dieta vegetariana para as crianças. Será que é saudável? Não vão faltar nutrientes? Pode prejudicar o desenvolvimento?

Hoje em dia, a maioria dos especialistas em nutrição e médicos concorda que uma dieta vegetariana bem planejada pode, na verdade, ser muito saudável desde a infância. Mas deve-se ter cuidado especial no caso de crianças e adolescentes, especialmente se a dieta não incluir laticínios e ovos.

Falamos sobre o tema com a especialista Bárbara Andrade, CEO da Alimentos Convitta. A seguir, você poderá entender melhor os benefícios e os cuidados necessários ao estimular uma alimentação vegetariana na infância, ou mesmo reduzir o consumo de alimentos de origem animal em casa.

Dentro da História: Quais os benefícios gerais de uma alimentação sem produtos de origem animal?

Bárbara Andrade: Em geral, dietas sem produtos de origem animal tendem a fornecer mais antioxidantes, nutrientes e fibras, além de melhorar os processos de digestão. 

Outro benefício é que uma dieta à base de vegetais, frutas, grãos e leguminosas oferece níveis mais baixos de gorduras e, assim, diminui os riscos de obstrução de veias e artérias que podem causar infarto. 

Além disso, a escolha de não consumir lácteos pode reduzir inflamações do organismo, e até melhorar sintomas de doenças como a artrite reumatoide.

DDH: É possível uma criança se desenvolver de forma saudável com uma dieta vegetariana? Não vai faltar proteína e nutrientes?

Bárbara: O consumo de leguminosas, sementes e cereais pode prover a quantidade de proteínas suficiente para qualquer pessoa. Cereais, como o arroz, e leguminosas, como o feijão, contém todos os aminoácidos essenciais para o desenvolvimento, e por isso é recomendado consumi-los diariamente.

Uma a criança precisa consumir em média 0,7 gramas de proteína por quilograma do seu peso, diariamente. Portanto, se uma criança pesa 20kg, necessita apenas de 14g de proteína por dia, que podem ser obtidos em duas conchas de feijão. 

As famílias que optam por uma alimentação vegetal facilmente conseguem atingir níveis satisfatórios de proteínas e nutrientes através de uma dieta balanceada. Caso exista resistência das crianças em consumir alguns tipos de alimentos ou busca por maior diversidade, é possível adicionar proteínas de soja, ervilha e arroz para incrementar receitas e obter maior aporte proteico. Atualmente é cada vez mais fácil encontrar esses alimentos em lojas especializadas, ou ainda produtos fortificados com proteínas sem origem animal, como é o caso dos produtos que desenvolvemos na Alimentos Convitta.

DDH: O que é o flexitarianismo? Quais os benefícios dessa prática para a saúde e para a sociedade como um todo?

Bárbara: O flexitarianismo propõe diminuir o consumo de carnes e derivados animais em prol de saúde e meio ambiente, mesmo que a família não exclua totalmente esses alimentos da sua rotina. A proposta é adotar um estilo de vida mais sustentável e saudável, sem necessariamente adotar um rótulo ou determinadas regras.
Os benefícios para a saúde são os mesmos de uma alimentação vegetal, variando com a proporção do que é praticado e os benefícios para o meio ambiente são consideráveis. Em um dia sem consumir carnes e derivados animais, uma pessoa  economiza, em média, 14kg de CO² emitidos na atmosfera, 24m² de terra utilizados para criação de animais e 3.400L de água, equivalente a 26 banhos de 15 minutos. Se cada família adotar o flexitarianismo uma ou duas vezes por semana, conseguiremos ver mudanças positivas no meio ambiente ao longo do tempo.

Veja também: Os benefícios de cada fruta para os bebês

DDH: As famílias que optam por reduzir ou excluir as proteínas animais da alimentação das crianças precisam tomar algum cuidado extra? É necessária suplementação alimentar?

Bárbara: Na alimentação vegetariana das crianças, é necessário estar atento aos níveis de alguns nutrientes que são mais comuns nos alimentos de origem animal. Por exemplo, o ômega-3, encontrado no óleo de linhaça, e também ferro e cálcio, ambos abundantes em vegetais verde-escuros, spirulina, melado-de-cana e leguminosas. O único nutriente que não é encontrado no reino vegetal é a vitamina B12, que pode ser obtida através de suplementação ou de alimentos fortificados.

Outro ponto que merece atenção na alimentação vegetariana é a ingestão calórica. Esse tipo de alimentação tende a fornecer menor aporte de calorias e ofertar mais fibras e água, que aumentam saciedade. A solução para esse ponto pode ser incluir alimentos vegetais mais calóricos como castanhas e óleos, por exemplo, conforme necessidade e distribuição de macronutrientes da criança.

Por esses motivos, é sempre importante contar com o acompanhamento pediátrico dos hábitos alimentares e, se necessário, também de um especialista em nutrição infantil. 

DDH: Quais alimentos podem ser oferecidos como fonte de nutrientes importantes para as crianças flexitarianas ou vegetarianas? Qual o benefício de cada um deles?

Um dos benefícios da alimentação vegetariana é o estímulo à variedade de fontes de nutrientes. Feijão, grão-de-bico, lentilha e quinoa são fontes de proteína, ferro, cálcio e zinco.Amendoins e castanhas são fontes de gorduras saudáveis, proteínas e fibras. A aveia é rica em vitamina B, fibras e beta-glucanos. Folhas verdes como espinafre, couve e salsinha oferecem ferro, cálcio, fibras, vitamina C, ômega 3 e ácido fólico. Vegetais e frutas alaranjadas possuem vitaminas A e C, potássio e licopeno. E frutas vermelhas, como amora, acerola e morango, são exemplos ricos em vitaminas e antioxidantes.

DDH: Independentemente do consumo ou não de alimentos de origem animal, quais são os pontos mais importantes para garantir uma alimentação saudável na infância?

Bárbara: Variedade de alimentos naturais e baixa oferta de alimentos ultraprocessados são pontos muito importantes. Ao passo que alimentos pouco processados tendem a ofertar vitaminas e nutrientes, alimentos ultraprocessados, por sua vez, costumam ser pobres em nutrientes e ricos em gorduras, açúcares e aditivos químicos que podem afetar o crescimento físico e viciar o paladar da criança, causando complicações na saúde como obesidade, diabetes e pressão alta ao longo da vida.

É importante oferecer exclusivamente leite materno durante os primeiros 6 meses de vida e, após esse período, a introdução da alimentação deve ser feita preferencialmente com alimentos in natura. Isso faz com que o paladar da criança se acostume com esses alimentos e ela aprenda a gostar de alimentos mais nutritivos.

O meio em que a criança vive interfere diretamente nos hábitos alimentares dela. Quando há alimentos ultraprocessados, como refrigerantes e biscoitos recheados em casa e na escola, fica mais difícil para ela criar o hábito de se alimentar de forma saudável, e por isso é importante que exista um consenso nos lugares que ela frequenta.

Variedade é um ponto chave para garantir diferentes nutrientes. Quanto mais variados forem os itens que compõem o prato da criança, mais nutrientes serão disponibilizados. Por isso, é importante incluir diferentes frutas, verduras e legumes ao longo dos dias. 

Caso a criança tenha resistência para comer esses alimentos, é possível incrementar receitas tradicionais como, por exemplo, cozinhar beterraba junto com o feijão, adicionar couve refogada no omelete e incluir mandioca cozida na massa de pão. Ou até prepará-los de forma divertida, cortando em formatos de estrelas e corações, por exemplo.

Veja também: 7 receitas de lanchinhos saudáveis para as crianças


Convitta alimentação vegetariana

Bárbara Andrade é formada em gastronomia e gestão de negócios, estudante de nutrição e CEO da Alimentos Convitta. Com 15 anos de experiência na área de alimentação, é entusiasta da alimentação saudável e, através da Alimentos Convitta, pretende colaborar com a saúde das pessoas e com um mundo mais sustentável.

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